Edição: 33
Dr. Flávio Soares
de Camargo

Currículo


O Enigma do Tratamento de Varizes

 
Quando me propus a escrever este artigo, seria mais justo escrever sobre as causas e suas consequências, porém, já escrevi várias vezes sobre isto, mas não sobre as coisas ainda não resolvidas! De todas as propostas como agente causador de varizes, a única que se manteve após as últimas pesquisas foi o conceito da genética predisponente. Obesidade, salto alto, ficar de pé o dia inteiro, gravidez única ou consecutiva, todos foram descartados como agente primário no surgimento de varizes. Porém, todos os fatores mencionados acima são importantes no seu desenvolvimento. A curiosidade recente é a respeito do tratamento com endolaser das grandes varizes. Atualmente são aceitas para este tipo de tratamento somente as veias varicosas com tamanho menor que 1 cm de diâmetro e de segmento retilíneo. Desde que o tratamento surgiu, a técnica tem se modificado continuadamente e os aparelhos idem. Pelo menos quatro gerações de diferentes tipos de aparelhos surgiram para sempre serem chamados de a “última invenção’, que seria a melhor de todas. Porém, na hora de comparar esta técnica ela é sempre comparada com a cirurgia convencional. Inegavelmente, do ponto de vista estético, o resultado do endolaser é superior ao uso da cirurgia convencional. Porém, a recidiva de varizes é superior com o uso do endolaser comparado com a cirurgia convencional. Como o uso do endolaser não é coberto pelos convênios, e seu uso em nosso meio é sempre feito em hospital, fica muito difícil explicar ao paciente que será necessário nova intervenção cirúrgica, além do incômodo, frustração, gastos financeiros, etc., envolvidos neste procedimento. Se tudo for bem explicado antes, ficará mais fácil o paciente entender que a escolha de uma intervenção com fundo estético e eventualmente cara, poderá ter uma recidiva em torno de 30% (os trabalhos sempre dizem que a recidiva é praticamente igual a zero). Escolhas bem explicadas podem ser facilmente absorvidas. Falemos agora da espuma densa. Esta técnica está longe de ser nova, usou-se em nosso meio há mais de 40anos, porém, os medicamentos usados na sua confecção eram muito potentes e causavam muitas reações e foi abandonada na década de 70. Eu mesmo cheguei a usá-la bastante e ver suas consequências boas e outras nem tanto. Funcionava muito bem, porém, os riscos envolvidos a inviabilizaram. Na época, era somente empregada no tratamento de grandes varizes, e os resultados eram comparados com a cirurgia convencional de igual para igual. Porém, os riscos eram superiores e a técnica ficou inviável quando se iniciou o uso para tratamento estético. A massa de pacientes em tratamento ficou imensa, e usar uma técnica que envolvia riscos para um tratamento estético tornou-a inviável. Justamente um médico que havia usado muito a espuma anterior, sendo pesquisador e professor universitário, começou a procurar em laboratório misturas de medicamentos compatíveis com seu uso em massa. O Dr. Juan Cabrera chegou à conclusão de que o que funcionava era a espuma do medicamento e não o medicamento em si. Continuando a pesquisar, chegou no medicamento, polidocanol, que preenchia todos os requisitos, por produzir uma espuma de qualidade e sem efeitos tóxicos e praticamente sem alergias. Foi um sucesso imediato, conseguiu excelentes resultados, e começaram as comparações com a cirurgia convencional que é considerada até hoje o padrão ouro no tratamento de varizes. Tem custo mais baixo que a cirurgia convencional e esta vantagem econômica aumenta muito quando comparada ao uso do endolaser. Porém, deparou-se com dois problemas: como o laser tem a recanalização e recidiva, e as manchas que necessitam de serem esvaziadas para se obterem bons resultados estéticos. Mas dá para ser feita em consultório esta reação e pode ser repetida inúmeras vezes. Para evitar a recidiva frequente, foi recomendada a ligadura da croça da safena envolvida, e o mesmo está indicado no uso do endolaser atualmente. Portanto, toda vez que comparamos alguma coisa, sempre a técnica convencional é o padrão ouro, e como é difícil chegar a este resultado cirúrgico numa única vez! Porém, inegavelmente, tanto a espuma densa como o endolaser estéticamente falando, são superiores. Penso que ambas estas técnicas alternativas vão disputar o primeiro lugar no tratamento de varizes, e o bom senso fará no final uma mistura de ambas, sempre com o objetivo de atingir um melhor benefício para o paciente. Como fazer esta escolha? Uma conversa franca com o seu cirurgião trará a luz necessária, pois no dia de hoje as três técnicas são válidas, todas com prós e contras.
 
 
     
   
     
 
     
 
 
 
 
 
 
 
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