Edição: 18
Dr. Mário Jorge
Currículo


Doenças da Coluna

 
Uma das mais frequentes doenças que afetam a coluna é a hérnia de disco. Esse distúrbio pode afetar tanto a coluna cervical (pescoço) como a região lombar e muito raramente a região torácica (dorsal). Na região cervical o segmento mais comumente afetado é a raiz nervosa C7 (60% dos casos), seguida pela raiz C6 (25% dos casos). A herniação de disco cervical frequentemente resulta de um processo degenerativo ou trauma da região cervical. Osteófitos ao redor das margens do disco e nas regiões da coluna levam ao estreitamento do canal e sintomas radiculares. Geralmente a hérnia de disco cervical apresenta-se como uma dor na região posterior do pescoço, com espasmo da musculatura cervical para espinhal, e se irradia para o ombro do lado afetado. Distúrbios sensoriais como formigamento, amortecimento e fraqueza do braço, usualmente ocorrem numa distribuição relacionada ao nível da raiz afetada do mesmo lado da herniação. A dor pode ser aumentada pela tosse, estiramento, quando o pescoço é virado para o lado comprimido. A radiculopatia lombo-sacra decorrente de uma hérnia de disco na região lombar também pode estar associada às alterações espondilíticas ou por calcificação do ligamento flavo e, quando combinadas, essas alterações podem resultar em estenose do canal lombar. A herniação de disco ocorre mais frequentemente em homens de meia idade, especialmente após atividades físicas. Outros fatores de risco incluem as condições congênitas que afetam o tamanho do canal espinal lombar. Em 90% dos indivíduos as hérnias de discos lombares ocorrem nos espaços L4-L5, L5-S1, sendo a raiz L5 a mais comumente comprometida, seguindo-se pela raiz S1. Os sintomas decorrentes da herniação do disco lombo-sacro incluem severa dor nas costas e lombar além de espasmo da musculatura paraespinhal com dor se irradiando para as nádegas, pernas e pés. Dor com perda sensorial e fraqueza tipicamente ocorre num padrão radicular, porém, atrofias não são usualmente características precoces. Manobras que aumentam a dor inclui tossir e esforço físico. Sintomas urinários se presentes requerem imediata atenção. O diagnóstico dessas condições muitas vezes pode ser revelado por radiografias simples na posição anterior, posterior, lateral e oblíqua, revelando os osteófitos, quando eles invadem os forames intervertebrais. A ressonância magnética é o melhor estudo de imagem para detectar as patologias do disco, as herniações e a compressão das raízes nervosas. A ressonância também podem revelar as anormalidades do disco especialmente em pacientes assistomáticos. A tomografia é usada para observar a arquitetura óssea que pode detectar a protusão do disco. A CT com a adição da mielografia podem também mostrar a estenose foraminal assim como uma protusão do disco lateral que pode não ser revelada pela ressonância magnética. Eletroneuromiografia com estudo das velocidades de conduções nervosas pode ser usada para confirmar a impressão clínica, excluindo outros distúrbios no diagnóstico diferencial. Esses exames também podem dar informações sobre alterações agudas e crônicas e a severidade do comprometimento neuro-lógico. Radiculopatia cervical deve ser diferenciada de outros distúrbios músculo- esqueléticos, tais como cervicalgias, doenças do ombro, distúrbios do cotovelo, do plexo braquial, e neuropatias periféricas por compressão. Radiculopatia lombo-sacra deve ser diferenciada de outros distúrbios músculo-esqueléticos, tais como a lombalgia, distúrbios da articulação coxofemoral e dos plexos lombo-sacros, além de neuropatias compressivas. Objetivo principal do tratamento é um período de repouso e medicação antiinflamatória. Medicamentos antiinflamatórios, não esteróides, são usados pelos seus efeitos antiinflamatórios e analgésicos. Esses agentes devem ser usados com cuidados em pacientes com hipertensão e idosos com história de sintomas gastrointestinais. Um pequeno curso de corticosteróides oral ou intramuscular pode ser útil no tratamento da fase aguda, mas o uso desse agente é controverso. Os relaxantes musculares podem ser usados, embora muitas pesquisas não apoiem essa alternativa, além do que, eles podem causar intensa sonolência. Medicamentos opiodes são reservados para controle de dor severa, e para dores neuropáticas as medicações incluem gabapentina, tramadol e anti- depressivos tricíclicos. Medidas não farma-cológicas, como calor, gelo, massagem, redução do estresse, modificação de atividades, modificação postural e terapia física, podem prover um alívio adicional. Um calor cervical para dor no pescoço e um colete lombar, para dor lombar, pode ser útil, uma vez a fase aguda tenha desaparecido. Fisioterapia específica para região cervical e lombar pode ser útil . Trações cervicais suaves também podem ser usadas. A injeção de corticosteróides tem ganhado popularidade em tratamento para dor causada por herniação de disco. Também pode ser utilizada a técnica de biofeedback, quando todos esses tratamentos falham ou episódios de crises de dor se repetem muito frequentemente. Quando ocorre uma marcada fraqueza muscular, ou um déficit neurológico progressivo, além da evolução para síndrome da cauda equina , e permanência da dor por mais de quatro meses, uma indicação para tratamento cirúrgico pode ser necessário.
 
 
     
   
     
 
     
 
 
 
 
 
 
 
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